Gene de
epilepsia infantil pode provocar comportamentos autistas
22 de Agosto de 2012 • 15h52 • atualizado às 16h48
22 de Agosto de 2012 • 15h52 • atualizado às 16h48
A síndrome de Dravet, que tem incidência de um caso
para cada 20 mil nascimentos, começa com crise epiléptica ainda no primeiro ano
de vida e comportamentos autistas a partir do segundo ano
Foto: Getty Images
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Um gene,
conhecido por ser o causador de síndrome de Dravet, uma espécie de
epilepsia infantil, também poderia ser um dos responsáveis pela aparição de
comportamentos autistas. Isso é o que defende um estudo publicado pela
revista científica Nature.
A
pesquisa sugeriu que, ao contrário de outras formas de epilepsia, os sintomas
da síndrome de Dravet também incluem comportamentos autistas, como a hiperatividade,
dificuldade nas relações sociais e um desenvolvimento mais lento da linguagem e
das habilidades motoras.
Isto foi
interpretado como uma espécie de pista por uma equipe da Universidade de
Washington, liderada por William Catterall, que passou a investigar as causas
desta síndrome para saber se elas poderiam estar ligadas à aparição
de sintomas autistas.
No
estudo feito com cobaias, os cientistas descobriram que os roedores com
apenas uma cópia funcional do gene SCN1A, localizado no cromossomo 2 e um dos
nove responsáveis pelo funcionamento dos canais de sódio nos neurônios,
desenvolveram comportamentos autistas.
Desta
forma, confirmou-se que este gene também era o principal causador dos sintomas
mais graves da síndrome de Dravet e, por isso, puderam considerar
que deveria ser incluído entre as síndromes do espectro autista.
A partir
desta fase, os especialistas trataram os ratos com um remédio que atua sobre o
sistema nervoso central e que habitualmente é receitado para combater crises
epilépticas, e descobriram que os comportamentos sociais anormais e os déficits
cognitivos dos roedores desapareceram.
Segundo
Catterall, esta descoberta orientará novas estratégias terapêuticas contra
o autismo.
A
síndrome de Dravet, que tem incidência de um caso para cada 20 mil
nascimentos, começa com crise epiléptica ainda no primeiro ano de vida e
comportamentos autistas a partir do segundo ano. O tratamento tenta atenuar as
convulsões, mas não de reverter a doença.
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